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sábado, 24 de setembro de 2022

Sem filtros, likes e seguidores: rede social BeReal ganha popularidade por ser 'anti-Instagram'; veja como usar

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A plataforma começou a fazer sucesso entre os jovens em 2022, dois anos depois de ser criada. Com foco na autenticidade, ela convida usuários a compartilharem uma foto em até dois minutos, sem filtros e curtidas.
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Por Darlan Helder, g1

Postado em 24 de setembro de 2022 às 08h10m

Post. N. - 4.443

BeReal  — Foto: Reprodução
BeReal — Foto: Reprodução

Com uma proposta "anti-rede social tradicional", o BeReal ("Seja Real", em tradução livre) é uma nova plataforma que virou febre nos Estados Unidos e vem ganhando popularidade no Brasil. Nela, você só posta uma foto por dia sem filtros, nem curtidas (veja como usar mais abaixo nesta reportagem).

Diariamente, em um horário aleatório, todos os usuários recebem uma notificação com um convite para postar uma foto. Para evitar imagens muito produzidas, o aplicativo sugere fazer a postagem em até dois minutos e não permite usar filtros ou edição prévia.

Ele também não segue a lógica de seguidores do Instagram. Em vez disso, os usuários têm amigos, e eles só podem conversar por mensagens privadas – a quantidade de amigos não é mostrada para outras pessoas que visitam o perfil.

O g1 também conversou com usuários assíduos do BeReal, que contaram como é a experiência na nova rede social (veja no final da reportagem).

O BeReal estimula a captação de imagens corriqueiras e sem edição. — Foto: Reprodução
O BeReal estimula a captação de imagens corriqueiras e sem edição. — Foto: Reprodução

Disponível gratuitamente para Android e iPhone (iOS), o BeReal foi criado na França por Alexis Barreyat e Kevin Perreau em 2020, mas só agora ele alcançou sucesso, especialmente entre usuários mais jovens, da chamada geração Z.

A base de usuários ativos do BeReal no mundo cresceu 315%, entre dezembro de 2021 e março deste ano, ao passar de 480 mil usuários, para 2 milhões em março no período, mostra um estudo da plataforma de inteligência de dados Apptopia.

Apenas no sistema operacional Android, entre 22 de agosto e 18 de setembro, foram mais de 413 mil downloads do BeReal na Play Store, segundo um levantamento da agência de otimização de busca Conversion.

Dados do Google Trends mostram o alto volume de procura pela rede social, com dois picos: um no dia 28 de agosto e outro, mais recente, no dia 17 de setembro.


Como usar o BeReal

Depois de baixar o aplicativo e criar uma conta, é preciso aguardar a notificação da rede social para postar uma foto. "É hora de BeReal – Faltam 2 minutos para capturar um BeReal e ver o que seus amigos estão fazendo", diz a mensagem da plataforma.

Veja como postar uma foto no BeReal:

  • Abra a notificação e capture o que você está fazendo no momento (o aplicativo registra com a câmera traseira e frontal do telefone simultaneamente);
  • Coloque a sua localização, se desejar;
  • Escolha quem poderá ver a foto: "Apenas meus amigos (as)" ou "Discovery (com todos do BeReal);
  • Clique em "Enviar";
  • Por fim, se preferir, coloque um comentário.
Notificação de postagem do BeReal  — Foto: Reprodução
Notificação de postagem do BeReal — Foto: Reprodução

Não há uma exigência de publicar a foto no intervalo de dois minutos. O BeReal permite compartilhar depois, mas, se isso acontecer, o aplicativo mostrará um aviso de "Atraso" ao lado da imagem.

É possível enviar mensagens privadas nas fotos de amigos ou reagir (função chamada de RealMojis) com uma foto própria que represente estes emojis: 👍😄😯😍😂.

Em entrevista ao g1, a usuária Camila Cousseau, de 34 anos, diz que está "viciada" na nova rede social e que é bem fiel ao horário em que o aplicativo envia a notificação para publicar a foto. Ela entende que a plataforma estimula usuários a serem mais autênticos e menos uma "persona".

"É uma rede social que você entra uma, duas, três vezes por dia e depois vive a tua vida. Não tem como perder muito tempo ali, uma vez que você já rolou o feed todo e viu o que os seus amigos estão fazendo", diz Cousseau.

O tradutor Lucas Blassioli, de 30 anos, diz que as pessoas estão usando o BeReal para postar coisas consideradas "não-instagramáveis". "Tem muita foto cotidiana, sem filtro”, diz. "No entanto, a urgência de ter 2 minutos para postar muitas vezes faz a gente procurar algo legal que está ao nosso redor".

O comunicador Marcus Mendes, de 37 anos, conta que a experiência dentro da rede é boa, mas ele se incomoda com a vulnerabilidade do recurso de geolocalização.

"Ele pode abrir caminho para revelar inadvertidamente o endereço de casa ou do trabalho. Eu desligo o rastreamento geográfico em todas as imagens e aconselharia que todos fizessem o mesmo especialmente quando postam a partir de casa", diz Mendes.

O g1 procurou o BeReal para falar sobre o funcionamento da geolocalização, mas a empresa não quis comentar.

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sexta-feira, 23 de setembro de 2022

TikTok Now chega ao Brasil na onda de apps 'espontâneos' e sem filtro; veja como usar

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App copia o 'Be Real' e incentiva usuários a tirarem fotos diariamente do que estão fazendo, mostrando a câmera frontal e a traseira.
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Por g1

Postado em 23 de setembro de 2022 às 18h35m

Post. N. - 4.442

TikTok Now chega ao Brasil na onda de apps 'espontâneos' e sem filtro; veja como usar
Divulgação/TikTok

Mais um aplicativo da onda das redes sociais "espontâneas" chegou ao Brasil: o TikTok Now. Uma cópia do BeReal, que lidera a moda 'anti-Instagram', o app também incentiva usuários a mostrarem diariamente o que fazem, em registros sem filtro da câmera frontal e da traseira.

Para manterem o ritmo, as pessoas receberão uma solicitação diária para capturar e compartilhar um vídeo de 10 segundos ou uma foto, sem filtro. Ao abrir a opção, o aplicativo dá 3 minutos para que você tire a foto ou grave o vídeo.

Quem postar algo nesse formato poderá ver o que os amigos e outros usuários postam. A visualização de posts de outras contas depende de sua idade e configurações de privacidade.

As pessoas que não te seguem ou que você não segue não podem comentar ou interagir com essas publicações diários, mas isso também pode ser alterado de acordo com as configurações.

O app já faz parte da tela principal do TikTok. Está na parte de baixo, entre o botão de "Amigos" e o botão de "+", para postar uma foto.

No entanto, para usar o TikTok Now será necessário baixar o aplicativo na AppStore (usuários do iOS) ou na Play Store (usuários do Android). O aplicativo ocupa 36 MB de armazenamento.

Ao abrir o app, você já recebe o pedido do aplicativo para fazer sua primeira publicação. Quando fizer, poderá olhar o post dos seus amigos.

Se tiver configurações de privacidade mais brandas, na aba "Explorar" é possível acompanhar as postagens de outros usuários que você ainda não segue.

Usuário tem três minutos para tirar foto ou gravar vídeo  — Foto: Reprodução/ TikTok Now
Usuário tem três minutos para tirar foto ou gravar vídeo — Foto: Reprodução/ TikTok Now

Uso para crianças e adolescentes:

  • Se alguém com menos de 16 anos criar uma conta para usar o aplicativo TikTok Now, sua conta será privada, por padrão;
  • menores de 18 anos não podem compartilhar conteúdo do TikTok Now no feed;
  • pessoas entre 13 e 15 anos têm opções de comentários limitadas a Amigos, o que ajuda na proteção contra interações indesejadas.
Para maiores de idade:

  • Esses usuários podem optar por compartilhar conteúdos com a comunidade TikTok Now mais ampla, com base nas configurações de privacidade escolhidas.
  • A configuração padrão é "Amigos podem ver", mais restrita.

Siga estes passos para alterar as configurações de privacidade:

  1. vá na aba de "Configurações";
  2. clique em privacidade;
  3. selecione as opções que preferir.
Como saber quais dados seus aplicativos estão coletando?
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quinta-feira, 22 de setembro de 2022

Patinho Feio: como funcionava o primeiro computador brasileiro, criado há 50 anos

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Com mais de 60 kg e apenas 4 kb de armazenamento, dispositivo criado na USP foi batizado em alusão ao Cisne Branco, projeto de computador da Unicamp. O aniversário de meio século do aparelho começa a ser comemorado nesta quinta-feira (22) pela Escola Politécnica.
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Por Victor Hugo Silva, g1

Postado em 22 de setembro de 2022 às 06h35m

Post. N. - 4.441

Primeiro computador brasileiro, Patinho Feio foi inaugurado em 24 de julho de 1972 — Foto: Reprodução/USP
Primeiro computador brasileiro, Patinho Feio foi inaugurado em 24 de julho de 1972 — Foto: Reprodução/USP

Há 50 anos, em uma época em que quase não havia profissionais capacitados para isso no país, cerca de 15 pesquisadores criaram o primeiro computador brasileiro. O aparelho ficou conhecido como Patinho Feio na Poli-USP (Escola Politécnica da Universidade de São Paulo), onde foi desenvolvido.

O Patinho Feio tinha apenas 4 kilobytes de armazenamento (um simples disquete tem 360 vezes mais espaço). Não contava com tela, mouse, nem a maioria das funções dos computadores de hoje. Mas serviu para dar início à indústria brasileira de equipamentos digitais.

"O Patinho Feio foi uma semente da indústria digital brasileira a partir de um protótipo viável", disse Lucas Moscato, professor aposentado de automação industrial e robótica da Poli-USP e um dos criadores do computador, em entrevista ao g1.

O dispositivo foi resultado de um esforço de engenheiros, professores, estagiários e estudantes de pós-graduação da faculdade.

"A gente teve alunos excelentes. Muitos ficaram trabalhando conosco na Poli, outros alimentaram a indústria de computadores que começou a surgir no Brasil", destacou Edith Ranzini, professora da Poli-USP e uma das quatro mulheres que participaram do projeto, ao g1.

O 50º aniversário do dispositivo começa a ser comemorado nesta quinta-feira (22) na Poli-USP. Nos próximos meses, serão realizadas exposições e visitas programadas de estudantes para mostrar os avanços da tecnologia e destacar a importância dos investimentos na universidade pública.

O primeiro computador brasileiro foi um projeto do antigo Laboratório de Sistemas Digitais da USP, hoje chamado de Departamento de Engenharia de Computação e Sistemas Digitais. Inaugurado em 24 de julho de 1972, ele começou a ser desenvolvido dois anos antes.

Relembre reportagem sobre computadores criados na USP:

USP desenvolve microcomputador do tamanho de uma moedaUSP desenvolve microcomputador do tamanho de uma moeda

O dispositivo foi criado depois do pedido da Marinha para a construção de um computador nacional que pudesse ser utilizado em seus navios. O aparelho seria feito na Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), que chamou seu projeto de Cisne Branco.

Então, os engenheiros da USP, que também projetavam um computador, chamaram a sua iniciativa de Pato Feio, que viria a ser chamado no diminutivo. "Foi realmente uma brincadeira que gerou o nome. O Patinho Feio teve essa ligação com o que o pessoal da Unicamp propôs fazer", explicou Moscato.

O Cisne Branco da Unicamp não vingou e o G10, um sucessor do Patinho Feio, viria a ser utilizado em sistemas de navegação de alguns navios da Marinha.

Bispo Dom Ernesto de Paula na inauguração do Patinho Feio, em 1972 — Foto: Jorge Murata/USP
Bispo Dom Ernesto de Paula na inauguração do Patinho Feio, em 1972 — Foto: Jorge Murata/USP

Como funcionava?

O Patinho Feio era controlado por um painel com botões e chaves liga-desliga que enviavam códigos binários (0 e 1) para rodar pequenos programas.

O dispositivo também usava um sistema de entrada e saída com periféricos, ou seja, aparelhos que ficam conectados à máquina. Nesse projeto, os acessórios serviam para salvar e iniciar programas.

Esses programas eram salvos em fitas perfuradas impressas em teletipo, uma espécie de máquina de escrever que enviava e recebia mensagens por telégrafo. Depois, uma máquina leitora podia ler essas fitas e executar os programas.

Na época em que foi desenvolvido, o Patinho Feio era considerado um minicomputador. Mas ele pesava cerca de 60 kg e, como destacou a professora Edith, tinha o tamanho de dois frigobares.

"Um 'frigobar', do lado esquerdo, é para as fontes de alimentação, para você ver como ele consumia energia", relembrou. "O outro é a parte do Patinho Feio propriamente dito, é aquele em que há um painel verde".

Painel do Patinho Feio tem botões e chaves liga-desliga que eram usados para enviar comandos — Foto: Divulgação/USP
Painel do Patinho Feio tem botões e chaves liga-desliga que eram usados para enviar comandos — Foto: Divulgação/USP

Para que servia?

Como tinha pouca memória, o Patinho Feio rodava apenas pequenos programas de demonstração. Ele seguia instruções para criar listas e copiar textos, além de realizar contas de soma e subtração, por exemplo.

Então governador de São Paulo, Laudo Natel compareceu à inauguração do Patinho Feio, em 1972 — Foto: Jorge Murata/USP
Então governador de São Paulo, Laudo Natel compareceu à inauguração do Patinho Feio, em 1972 — Foto: Jorge Murata/USP

A ideia era testar o que tinha sido aprendido nas aulas sobre sistemas digitais, incluídas no curso de Engenharia da Computação da Poli-USP um ano antes da inauguração do computador.

"O importante na época era demonstrar a capacidade de desenvolver um equipamento confiável que funcionasse e permitisse que os engenheiros que ali haviam trabalhado pudessem progredir fazendo outros equipamentos ou indo até para a indústria", diz Moscato.

Segundo Edith, o objetivo "era estudar como fazer um módulo de entrada e saída, como ligar mais um periférico. O foco não era tanto que programa fazer, era dotar o Patinho Feio de mais recursos de infraestrutura básica para depois o pessoal rodar programa".
O que veio depois?

O segundo computador do grupo de engenheiros da USP foi o G10, produzido para a Marinha. Ele serviu de base para o primeiro computador comercial brasileiro, chamado de MC 500 e fabricado pela Cobra (Computadores e Sistemas Brasileiros).

Lucas Moscato, um dos criadores do Patinho Feio, em demonstração do computador — Foto: Jorge Murata/USP
Lucas Moscato, um dos criadores do Patinho Feio, em demonstração do computador — Foto: Jorge Murata/USP

O conhecimento obtido com o Patinho Feio ainda ajudaria pesquisadores em outros projetos, que incluíram sistemas de controle de trens, apoio a motoristas em rodovias e de central telefônica.

"Outras indústrias nasceram a partir daí e muita coisa aconteceu por 25 anos até meados dos anos 1990, quando a opção brasileira foi pela agricultura, deixando um pouco de lado a indústria", avalia Moscato.

Os dois engenheiros ouvidos pelo g1 destacam que a indústria brasileira não estava preparada para a abertura comercial no início dos anos 1990, que aumentou a presença no país de equipamentos de empresas estrangeiras. Para eles, é preciso fortalecer o setor no brasil.

Edith alerta ainda para o problema de fuga de cérebros do país. "Tem uma série de coisas que, para serem feitas, precisam de indústria por trás. Mas algumas, por exemplo, desenvolvimento de software, precisam de cabeças. E elas estão indo embora, tem muita gente indo para o exterior", afirma.

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