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sexta-feira, 2 de maio de 2025

Os golpes virtuais que mais fazem os brasileiros perder dinheiro

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Fraudes digitais custaram em 2024 mais de R$ 10 bilhões às vítimas, salto de 17% frente a 2023. Segundo pesquisa, uma em cada quatro pessoas com mais de 16 anos já foi lesada. Veja quais os golpes mais frequentes.
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TOPO
Por Simone Machado

Postado em 02 de Maio de 2.025 às 14h05m

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Golpe do WhatsApp, das falsas vendas e do falso funcionário de banco lideram ranking das fraudes mais comuns — Foto: Bernd Feil/MiS/IMAGO
Golpe do WhatsApp, das falsas vendas e do falso funcionário de banco lideram ranking das fraudes mais comuns — Foto: Bernd Feil/MiS/IMAGO

"Mãe, tudo bem? Tive um problema com meu cartão, você consegue me enviar um pix de R$ 800 agora?”. Foi essa mensagem que a aposentada Lourdes Diana, de 77 anos, recebeu em seu WhatsApp em agosto do ano passado e a fez perder R$ 1 mil.

O contato, que usava a foto de sua filha de 36 anos, fez o pedido justamente na semana em que a mulher estava viajando. Sem desconfiar, a idosa fez a transferência pensando que estava ajudando a filha num momento de imprevisto. Mas era golpe.

Assim como Lourdes, 153 mil pessoas foram vítimas do "golpe do WhatsApp", no Brasil em 2024, segundo dados da Federação Brasileira de Bancos (Febraban). O golpe das falsas vendas (150 mil vítimas) e do falso funcionário de banco (105 mil vítimas) completam o ranking das três abordagens mais comunicadas por clientes às instituições bancárias.

Prejuízo que, segundo o órgão, chega a R$10,1 bilhões, em 2024. Volume 17% maior do que o registrado no ano anterior quando essa perda foi de R$8,6 bilhões.

Mas porque tantas pessoas ainda caem em golpes que não são novos? Segundo especialistas ouvidos pela DW, há três fatores principais: a capacidade de a internet atingir milhões de pessoas; o imediatismo e a capacidade dos golpistas de manipular as pessoas.

"Estatisticamente quanto mais pessoas você atinge, maior a possibilidade de essas pessoas caírem em golpes. O segundo ponto é a rapidez. A internet dá essa necessidade de ser tudo mais rápido, fazendo com que as pessoas nem pensem no que estão fazendo", explica Wanderson Castilho, perito em crimes digitais. a terceira é a questão da tecnologia.

"Apesar de as pessoas usarem a internet diariamente, elas não têm noção da força que ela tem. Consequentemente, se usar algumas técnicas psicológicas, vai ser muito fácil manipular as pessoas”, completa.

Outra pesquisa feita sobre os golpes digitais no Brasil, aponta que 24% dos brasileiros com mais de 16 anos afirmaram já terem perdido dinheiro em golpes no último ano. Ou seja, isso representa quase um a cada quatro pessoas com mais de 16 anos.

Segundo o Instituto DataSenado, responsável pelo levantamento, são mais de 40,8 milhões de pessoas que perderam dinheiro em função de algum crime cibernético, como clonagem de cartão, fraude na internet ou invasão de contas bancárias.

A pesquisa foi feita por telefone, o que significa que muitas dessas vítimas podem não ter procurado a polícia ou a instituição bancária para relatar o golpe.

Os dois tipos de perfis que mais são vulneráveis aos golpes de crimes eletrônicos são as pontas das pirâmides, ou seja, os mais novos e os mais velhos, segundo os especialistas ouvidos pela DW.

O aplicativo de mensagens WhatsApp é um dos meios preferidos pelos criminosos — Foto: Photothek/Picture alliance
O aplicativo de mensagens WhatsApp é um dos meios preferidos pelos criminosos — Foto: Photothek/Picture alliance

"Os mais velhos não têm tanta intimidade com a tecnologia, porque o seu raciocínio está um pouco mais lento, são coisas completamente novas e eles tendem a acreditar mais, principalmente quando os criminosos se passam por alguém da família", diz Castilho.

"Os mais novos, por outro lado, têm um excesso de confiança, porque estão nascendo dentro da tecnologia, e eles acreditam que sabem tudo, mas o conhecimento é muito raso, normalmente. E os criminosos sabem muito bem disso e sabem que esse público quer agilidade, facilidade e o [produto] mais barato", completa o especialista.

Como são os golpes mais comuns

Golpe do WhatsApp

O golpe do WhatsApp acontece quando criminosos clonam a conta de WhatsApp da vítima.

Para obter o código de segurança que o aplicativo envia por SMS sempre que é instalado em um novo dispositivo, o golpista envia uma mensagem se fazendo passar por algum tipo de serviço de atendimento ao cliente. Nessa mensagem é solicitado o código para a vítima, que, ao fornecê-lo, tem o número clonado.

Para evitar que o WhatsApp seja clonado é necessário habilitar no aplicativo a opção "verificação em duas etapas”. Assim, é possível cadastrar uma senha que será solicitada periodicamente pelo app. Essa senha não deve ser enviada para outras pessoas ou digitada em links recebidos.

Falsa venda

No golpe de falsa venda, os criminosos criam sites e páginas falsas de lojas nas redes sociais, e enviam promoções inexistentes por e-mails, SMS e mensagens de WhatsApp.

Para não cair nesse tipo de golpe, é importante ficar atento a preços praticados muito abaixo dos cobrados pelo mercado. Também é importante tomar cuidado com links recebidos em e-mails e mensagens.

Falsa central bancária ou falso funcionário

Já nesse golpe, os criminosos passam por funcionários do banco ou empresa com a qual o cliente já tem um relacionamento. O estelionatário faz contato por telefone e diz haver algum tipo de problema na conta ou relata alguma compra irregular usando o cartão bancário.

A partir daí, ele solicita os dados pessoais e financeiros da vítima. Em alguns casos, ele também pede para que a pessoa realize transferências financeiras alegando a necessidade de regularizar problemas na conta ou no cartão.

Para evitar cair nesse golpe, o cliente deve sempre verificar a origem das ligações e mensagens recebidas. Os bancos podem entrar em contato com os clientes para confirmar transações suspeitas, mas nunca solicitam dados pessoais, senhas, atualizações de sistemas, chaves de segurança, ou ainda que o cliente realize transferências ou pagamentos.

Ao receber uma ligação suspeita, o melhor é desligar e ligar nos canais oficiais do banco ou entrar em contato diretamente com o seu gerente.

Dados pessoais expostos

Vazamentos de dados que expõem informações pessoais e até mesmo senhas acendem um alerta ainda maior para os golpes virtuais. Munidos de mais informações importantes sobre pessoas e empresas, cibercriminosos aproveitam para agirem e fazerem mais vítimas.

Nos últimos cinco anos, o governo federal registrou quase 58 mil incidentes cibernéticos ou alertas de vulnerabilidade digital, sendo mais de 9 mil casos envolvendo vazamentos de dados em sistemas da União.

Em novembro de 2024, a Polícia Civil de São Paulo descobriu uma quadrilha responsável por vender dados de, ao menos, 120 milhões de pessoas, ou seja, mais da metade da população brasileira teve os dados acessados e vazados pelo grupo, que operava como um call center do crime.

"Os vazamentos de dados impulsionam muito os golpes, na medida em que o que os golpistas precisam de informações que tornem o contato deles crível. Se alguém te contacta, tem uma boa comunicação, um tom de voz adequado e quer confirmar nome completo, endereço, ela vai dando essas informações que conseguiu, por exemplo, através de um vazamento", diz Arthur Igreja, especialista em tecnologia e inovação.

"E do outro lado a pessoa tende a acreditar que é um contato de verdade. Por isso que esses vazamentos são tão ruins, porque dão muita munição para os golpistas".

Como se proteger dos golpes

Homem idoso usando o celular — Foto: Andrea Piacquadio/Pexels
Homem idoso usando o celular — Foto: Andrea Piacquadio/Pexels

Medidas simples de "higiene digital" podem ajudar a evitar uma parcela expressiva das fraudes, como: ativar a verificação em duas etapas nos aplicativos; desconfiar de preços muito abaixo dos praticados no mercado; checar se um perfil comercial é recente e tem poucas opções de pagamento; e nunca compartilhar dados por mensagens ou ligações suspeitas.

"É importante lembrar que instituições financeiras jamais solicitam senhas ou códigos de autenticação", lembra Rony Vainzof, professor especializado em direito digital, proteção de dados e segurança cibernética e conselheiro titular do Comitê Nacional de Cibersegurança (CNCiber).

Segundo ele, como hoje grande parte dos dados cadastrais dos cidadãos já se encontram expostos, além de outras informações que podem ser coletadas em redes sociais pelos criminosos, somado ao uso da Inteligência Artificial, a prática de engenharia social tornou-se significativamente mais fácil.

"Isso exige um grau de atenção e cautela muito maior por parte das pessoas em suas interações", diz Vainzof.

Ainda de acordo com o especialista, tomar os cuidados pessoais é importante, mas superar esse cenário exige mais do que medidas pontuais ou reações isoladas.

"É necessário estruturar uma política nacional de cibereducação, fortalecer os mecanismos de normatização e garantir que a Lei Geral de Proteção de Dados seja aplicada, bem como a repressão contundente contra os criminosos", diz.

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quinta-feira, 1 de maio de 2025

IA no mercado do trabalho: veja previsões e análises de executivos de big techs no Web Summit Rio

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Representantes de grandes empresas de tecnologia como Nvidia, IBM, Microsoft, Meta e Groq estiveram no Web Summit Rio em 2025 e falaram sobre os novos desafios da inteligência artificial. Todos concordam que estamos vivendo uma revolução.
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Por Raoni Alves, g1 Rio

Postado em 01 de Maio de 2.025 às 06h50m

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Representantes de grandes empresas de tecnologia como Nvidia, IBM, Microsoft, Meta e Groq estiveram no Web Summit Rio 2025. — Foto: Divulgação
Representantes de grandes empresas de tecnologia como Nvidia, IBM, Microsoft, Meta e Groq estiveram no Web Summit Rio 2025. — Foto: Divulgação

A presidente da Microsoft Brasil, Priscyla Laham, respondeu uma das perguntas mais recorrentes durante os quatro dias de Web Summit Rio 2025. Afinal, as ferramentas de inteligência artificial vão roubar nossos empregos?

"Os profissionais e as pessoas não vão ser substituídos por IA em seus empregos. Eles vão ser substituídos por outros profissionais que sabem utilizar a IA", respondeu Laham.

O g1 esteve no maior evento de tecnologia do mundo, que levou mais de 30 mil pessoas ao Riocentro, na Zona Oeste do Rio, entre domingo (27) e quarta-feira (30), e ouviu representantes de grandes empresas sobre o impacto da IA no mercado de trabalho.

A conclusão de todos segue a mesma linha: a tecnologia será fundamental para todos os setores da economia, mas não substituirá o ser humano em todas as suas funções.

'Revolução'

Para Maren Lau, vice-presidente regional da Meta para a América Latina, a IA representa uma revolução e abre um mundo de novas possibilidades.

"A tecnologia em si é incrível, mas a grande maravilha é o que você, o que nós, o que o mundo vai fazer com ela. Abrir a IA para o mundo cria oportunidades para todos nós. Então vamos poder sonhar mais alto", disse Maren Lau.
'Aprendizado'

Apesar de tantas novidades e dúvidas surgindo ao mesmo tempo, Márcio Aguiar, diretor-executivo da Nvidia, umas das gigantes do Vale do Silício, garante que as pessoas não precisam se desesperar. Para ele, o momento é de aprendizado.

"É só o início. Se você não fez nada e acha que está super atrasado, não é verdade. Estamos só no início do ponto de inflexão da IA. Tem muito ainda a ser feito", comentou.

"Se vocês ainda não começaram sua jornada e têm duvidas de como aplicar a IA no seu negócio, eu quero te tranquilizar. Isso é normal. Vamos chegar todos nesse ponto de inflexão", completou Aguiar.

'Efeito líquido positivo'

Segundo Chris Stephens, CTO de campo da Groq, as previsões que indicam um cenário apocalíptico de dominação das máquinas devem ficar apenas nos filmes de ficção cientifica. Ele aponta a tecnologia como grande aliado do ser humano em qualquer área.

"Eu costumo ser uma pessoa bastante otimista, apesar de ser da geração X. Pelo que eu entendo, todos os avanços tecnológicos da história, como a agricultura e outros avanços, sempre no final das contas tivemos um efeito líquido positivo para o mundo. Estou otimista para que isso aconteça agora novamente."

O especialista, porém, acredita que o problema atual com a IA é a velocidade das inovações. Na opinião dele, as pessoas precisam se qualificar para esse novo mundo.

"Agora a velocidade será bem diferente, e é importante observar isso. A IA vai mudar praticamente tudo. Não sei se alguém aqui viveu a época antes da internet, e como a vida era em comparação com a vida de hoje. É esse tipo de revolução que estamos vivendo. E tem outras coisas que nem sabemos como seremos impactados", analisou o executivo da Groq.

Google libera nova IA que gera vídeos a partir de texto

Alfabetização em IA

Durante o Web Summit, o mantra repetido a todo momento é sobre a necessidade de aprendizado. Segundo os especialistas, não importa a área de atuação, todos vão precisar se alfabetizar em IA para não ficarem ultrapassados.

A definição de alfabetização em IA pode ser resumida pela capacidade de compreender vários aspectos da inteligência artificial, incluindo seus recursos, limitações e considerações éticas. A IBM é uma das empresas que oferece cursos de aprimoramento em IA, como anunciou durante o Web Summit.

"A gente precisa levar em consideração essa jornada de alfabetização. Todos precisam ter. A alfabetização em IA é grande parte do que fazemos. Cursos, ciência de dados, ética no uso de IA. (...) Esses são os cursos que oferecemos para todos", disse Justina Nixon-Saintil, diretora de impacto da IBM.

"É importante usar a IA para fazer trabalhos que podem ser automatizados e deixar os seres humanos com as atividades mais criativas. Como trabalhar junto com a IA para fazer o que você precisa? Como usar os pedidos certos para ela fazer o que eu você quer? Isso vai aumentar o impacto econômico das empresas", completou Justina.

O Web Summit 2025 deve injetar mais de R$ 170 milhões na economia da cidade, segundo a Prefeitura do Rio. — Foto: Divulgação
O Web Summit 2025 deve injetar mais de R$ 170 milhões na economia da cidade, segundo a Prefeitura do Rio. — Foto: Divulgação

Para Márcio Aguiar, diretor-executivo Nvidia, as grandes empresas já estão buscando maneiras de qualificar seus funcionários. Contudo, ele alerta para a importância de as empresas entenderem como usar essas novas ferramentas.

"A alfabetização em IA tem acontecido nas grandes empresas. A pergunta é o que significa para o meu trabalho ter um gerador de imagens ou outros sistemas. Ele não veio para me substituir e sim para tornar o meu trabalho ainda melhor", orientou o executivo.

Já Chris Stephens, da Groq, lembrou de como era o mundo antes do lançamento do ChatGPT, que ampliou a utilização de IA generativa no planeta.

"No dia 29 de novembro de 2022, antes do ChatGPT, as pessoas não pesavam nisso. Mas no dia seguinte apareceu uma nova era. As pessoas e as máquinas estão aprendendo. Agora, dois ou três anos depois, todo mundo está trabalhando nessas áreas. Precisamos ampliar essa competência mesmo nas equipes mais tradicionais", reforçou o executivo da Groq.

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quarta-feira, 30 de abril de 2025

Nível de gastos militares mundiais é o maior em 40 anos, diz relatório

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Aumento foi de 9,4% em relação ao ano anterior, para US$ 2,718 trilhões, maior índice desde Guerra Fria
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Brad Lendonda CNN
30/04/2025 às 12:43 | Atualizado 30/04/2025 às 12:43
Postado em 30 de Abril de 2.025 às 13h00m

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Soldados das Forças Armadas da Alemanha participam de exercícios militares em Pabrade, na Lituânia29/05/2024 REUTERS/Ints Kalnins
Soldados das Forças Armadas da Alemanha participam de exercícios militares em Pabrade, na Lituânia29/05/2024 REUTERS/Ints Kalnins • REUTERS

 mundo está se armando no ritmo mais rápido desde o fim da Guerra Fria, segundo um novo relatório, enquanto grandes guerras se alastram na Ucrânia e na Faixa de Gaza e as tensões militares aumentam da Europa para a Ásia.

O aumento de 9,4% em relação ao ano anterior nos gastos militares globais, para US$ 2,718 trilhões em 2024, é o maior valor já registrado pelo Instituto Internacional de Pesquisa para a Paz de Estocolmo (SIPRI), que alertou que não existe um fim à vista para a crescente corrida armamentista global.

Esse é o maior aumento desde 1988, ano anterior à queda do Muro de Berlim.

Muitos países também se comprometeram a aumentar os gastos militares, o que levará a novos aumentos globais nos próximos anos, afirma o relatório.

Os Estados Unidos continuam sendo, de longe, o país que mais gasta com o setor militar do mundo – quase um trilhão de dólares em 2024.

Itens importantes no orçamento dos EUA incluíam caças furtivos F-35 e seus sistemas de combate (US$ 61,1 bilhões), novos navios para a Marinha (US$ 48,1 bilhões), modernização do arsenal nuclear (US$ 37,7 bilhões) e defesa antimísseis (US$ 29,8 bilhões).

O orçamento americano incluiu US$ 48,4 bilhões em ajuda à Ucrânia, quase três quartos do orçamento de Defesa de Kiev, que é de US$ 64,8 bilhões.

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A China seguiu os EUA em gastos militares totais, com uma estimativa de US$ 314 bilhões, pouco menos de um terço do total americano, segundo o relatório.

O instituto não detalhou os gastos chineses, mas observou que o paísrevelou diversas capacidades aprimoradas em 2024, incluindo novas aeronaves de combate furtivas, veículos aéreos não tripulados (VANTs) e veículos subaquáticos não tripulados.

A China também continuou a expandir rapidamente o arsenal nuclear em 2024, destacou.

Juntos, EUA e China foram responsáveis ​​por quase metade dos gastos militares mundiais em 2024, de acordo com o relatório.

Mas os países envolvidos em conflitos regionais ou com tensões regionais crescentes apresentaram os maiores aumentos nos gastos em relação ao ano anterior.

Israel, que lançou uma invasão ao território palestino de Gaza em 2023, apresentou um aumento de 65% nos gastos militares em 2024.

Enquanto isso, a Rússia, que invadiu a Ucrânia em 2022, apresentou um aumento estimado de pelo menos 38%, mas o SIPRI observou que esse número provavelmente era maior, já que Moscou reforça os cofres militares com recursos de fontes regionais e outras.

O conflito de mais de três anos na Ucrânia fez com que os países da Otan, a aliança militar ocidental, aumentassem significativamente os orçamentos.

Tudo isso acontece enquanto o presidente dos EUA, Donald Trump, pressiona a Europa e a aliança a serem mais responsáveis ​​pela defesa, alegando que elas vêm se aproveitando dos Estados Unidos.

Gastos militares na Europa

A Alemanha, que possui quarto maior orçamento de defesa do mundo, aumentou os gastos em 28%.

Romênia (43%), Holanda (35%), Suécia (34%), República Tcheca (32%), Polônia (31%), Dinamarca (20%), Noruega (17%), Finlândia (16%), Turquia (12%) e Grécia (11%) foram os outros integrantes da Otan entre os 40 maiores gastadores com o setor de defesa do mundo que apresentaram aumentos de dois dígitos em 2024.

O rápido aumento nos gastos entre os integrantes europeus da Otan foi impulsionado principalmente pela ameaça russa e pelas preocupações com o possível desligamento dos EUA da aliança, comentou Jade Guiberteau Ricard, pesquisadora do Programa de Despesas Militares e Produção de Armas do SIPRI.

Mas analistas afirmam que pode ser necessário mais do que dinheiro para que os aliados dos EUA na Europa se tornem militarmente autossuficientes.

Vale ressaltar que o aumento dos gastos por si só não se traduzirá necessariamente em uma capacidade militar significativamente maior ou em independência dos EUA. Essas são tarefas muito mais complexas, avaliou o pesquisador do SIRPI Guiberteau Ricard em um comunicado à imprensa.

Na região Indo-Pacífico, o instituto afirmou que o aumento de 7% da China em 2024 marcou o 30º aumento consecutivo, em relação ao ano anterior, nos gastos do Exército de Libertação Popular, a maior sequência ininterrupta registradano banco de dados do instituto, segundo o relatório.

Gastos militares na Ásia

O fortalecimento militar da China também influenciou as políticas militares de seus vizinhos, levando muitos deles a aumentar os gastos, destacou o documento.

O orçamento militar do Japão aumentou 21% em 2024 – o maior para o país desde 1952. Isso elevou os gastos militares para 1,4% do Produto Interno Bruto (PIB), a maior parcela da economia japonesa dedicada ao setor militar desde 1958.

As Filipinas, envolvidas em disputas territoriais no Mar da China Meridional com a China, aumentaram seus gastos com defesa em 19%.

E embora os gastos na Coreia do Sul tenham aumentado apenas1,4% em 2024, Seul tem a maior carga militar do Leste Asiático, representando 2,6% do PIB, afirmou o instituto.

Taiwan aumentou o orçamento de defesa em apenas 1,8% no ano passado, mas os gastos militares de Taipé aumentaram 48% desde 2015, segundo o documento. A ilha possui cerca de 23 milhões de habitantes, e o Partido Comunista Chinês reivindica como sua. A China prometeu tomá-la à força se necessário.

A Índia, por sua vez, teve o quinto maior orçamento de defesa do mundo (US$ 86,1 bilhões) em 2024.

O aumento em Nova Déli em relação a 2023 foi de apenas 1,6%, mas os gastos com defesa do país aumentaram 42% na última década, indicando uma tendência preocupante, disseram os pesquisadores.

Os principais países que investem em recursos militares na região Ásia-Pacífico estão investindo cada vez mais em capacidades militares avançadas, afirmou Nan Tian, ​​diretora do Programa de Despesas Militares e Produção de Armas do SIPRI.

Com diversas disputas não resolvidas e tensões crescentes, esses investimentos correm o risco de lançar a região em uma perigosa espiral de corrida armamentista, ressaltou.

Também na Ásia, Mianmar, que enfrenta conflitos internos desde o golpe militar em 2021, aumentou os gastos em 66% em 2024.

Com 6,8% do seu PIB, Mianmar continua sendo o país com a maior carga militar na região Ásia-Pacífico, segundo o relatório.

Gastos nas Américas e África

Os gastos militares na África aumentaram 3% no geral em 2024.

A Argélia é o país que mais gasta no continente, ocupando a 20ª posição no ranking mundial.

Nas Américas, o México apresentou um aumento de 39% nos gastos militares em 2024, refletindo a resposta cada vez mais militarizada do governo ao crime organizado, afirma o relatório.

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